quinta-feira, 12 de março de 2009

Todo mundo já quis, mas só ele teve colhões.

Tacaram um par de sapatos no Bush. Em visita a cidade de Bagdá, o déspota, em entrevista coletiva se viu frente a frente com um jornalista iraquiano revoltado, que dizendo "vingar" os mortos e as viúvas de uma guerra sem sentido, cometeu o ato que talvez 70% da população americana cometeria. Seria essa manifestação desesperada, um motivo para punir o jornalista, ou um aviso da falta de aprovação das atitudes do presidente? Invariavelmente, Muntadar al-Zaidi foi detido instantâneamente, com quase toda a certeza deste mundo, torturado, e na ultima quinta condenado a três anos de prisão. Considerado herói, Zaidi, declarou que sua atitude foi "natural, como a de qualquer iraquiano". Compreendo que não haveria momento melhor para se arremessar sapatos no presidente americano. Entendo também, que, ao ver sua terra definhando há cinco anos, o cidadão se sentiu indignado, e vendo o responsável na sua frente, cometeu um ato que podemos classificar como legítimo, espontâneo e claramente compreensível.

Bush, habilmente, esquivou-se de ambos os sapatos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

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"Estou aqui, mas é como se não estivesse em parte alguma de tal modo fui despersonalizado por uma série de fenômenos que tornaram irrelevante, já não digo o estar em alguma parte, mas o ser alguém em um ente definido e não outro qualquer, desde sarcomastigóforo, que o livro garante ser espécie mínima de protozoário, até o proboscídeo, hoje representado pelo simpático elefante. Ou mesmo objeto. Sou pessoa ou tamborete gente ou panela de apito, sou folha de papel, relógio, cadarço, roda de carro, que é que sou afinal? Inda se fosse só isto ou aquilo. Mas sucessivamente me transfomaram em outra coisa ou coisa nenhuma. Pintam-me de vermelho ou azul, dissolvem-me, condensam-me, baralham-me, anulam-me. Por toda parte ouço ordens, advertências, conselhos, intimações, proibições. Faço o que não quero, se faço; em geral, não me deixam fazer nada. Dizem que sou massa. Mas existe massa, ou criaturas diferentes uma das outras?"

É do Drummond, mas achei no about de alguém e postei.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Entre bitucas e monges...

Cidade grande. Multidões indo e vindo, sempre com algo em mente: trabalho, estudo, dinheiro ou algo que o valha. São seis e vinte da manhã, e a Paulista funciona como nunca. Homens dentro de ternos tomam cafézinhos preparados por tias, que acordaram as 4h, para esquentar água, e garis dispostos geométricamente pela avenida varrem as bitucas dos engravatados. A porta dos shoppings está sendo aberta, mesmo que as lojas estejam fechadas e os clientes ainda dormindo. A madrugada ainda nem acabou, e isso significa que (ainda/já) tem gente voltando pra casa. A tensão tá no ambiente, você passa e sente. Um policial de mochila cruza meu caminho, e se posiciona, para evitar possíveis delitos. Adolescentes de skate, hippies com tendinhas e ciclistas. São seis e quarenta. Dezenas de orientais, reunidos na frente do colégio, conversam, as vezes em línguas que eu nunca ouvi. Um ser remendado cruza comigo e murmura: "Aê, Jow! Me descola um cigarro, na moral?".Na moral, eu descolo. Os minutos passam e algum ativista vem me convidar pro Green-Peace...dou um jeito de ser evasivo, e ....NOSSA! É quase inacreditável quando aquela figura aparece. Dentro duma bata rosa, com a cabeça raspada, salvo uma trancinha na base da nuca, e algo laranja no meio da testa. Entre estátuas humanas, rastafaris e japoneses de cabelo colorido, aparece um monge. Sim, um monge. De certa forma até alegra meu dia. Eu poderia lhe perguntar infitas coisas, como de onde ele veio, ou por que está ali, mas ele é mais rápido e pergunta antes: "Você está feliz?". Independente de qualquer resposta dada, ele diz que não se deve estar feliz, pois feliz é um estado de espirito. Não se está feliz, se É feliz. Pra mim, besteira. Enquanto admiro a figura de um monge em plena Av. Paulista abordando pessoas, e discutindo sobre felicidade, me dou conta de que são sete vinte e tenho que ir pra aula. Todo esse caos acontece ao meu redor, e incrivelmente, QUASE não me afeta.

segunda-feira, 2 de março de 2009

gloBANALização

-Multinacionais Japonesas instalam empresas em Hong-Kong,
produzindo com matéria prima brasileira, para poder
competir no mercado americano.
-Combustível árabe alimenta automóveis alemães, que
circulam sem parar pelas ruas de Mônaco.
-Circuitos japoneses, dão funcionamento à placas de som
da Indonésia, para que atendentes de tele-marketing
indianos, com nomes falsos americanos, atendam clientes
de empresas inglesas.
-Crianças tailandesas costuram bolas americanas para
jogadores brasileiros marcarem gols para times italianos.
-Lâmpadas japonesas, chicletes americanos e saias indianas
nos bazares coreanos de São Paulo.
-Comida kösher é servida para muçulmanos hispânicos no
leste da Austrália.
-E a literatura grega é reinterpretada para crianças
chinesas da comunidade européia.